Chega mais perto e contempla as palavras
Cada uma
Tem mil faces secretas sob a face neutra
E te pergunta, sem interesse pela resposta
Pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
(Carlos Drummond de Andrade)
Ler poesia...
Definição objetiva seria perda de tempo;
Só aqueles que, com coragem, entraram nesse mar
E velejam pelo sentimento,
Percebem que o poeta trata a palavra
Com esmero,
Com elegância,
Construindo múltiplos sentidos,
Tecendo caminhos,
Impregnando-a de sabores e cores.
(Carlos Augusto Baptista de Andrade)
ESTILÍSTICA (do alemão Stilistik, pelo francês Stylistique) – é o ramo da lingüística que estuda as variações da língua da qual as propriedades posicionam essa língua no contexto.
CONTEXTO HISTÓRICO – no início do século XX começou a sistematizar-se ganhando certa autonomia a partir do instrumental fornecido inicialmente pela lingüística, mais particularmente pelos estudos de Sausurre e de Bally.
MOMENTOS MARCANTES
1964 – O estudo de Bueno reitera, na distribuição dos tópicos, as preocupações básicas da estilística: lexical, sintática, sonora, semântica. E avança alguns fundamentos do estrato gráfico (ou visual) nos tópicos “A Visualização”, “O Volume dos Vocábulos”, “O Prestígio da Maiúscula”, “Grafia e Ortografia”.
“Pelo estudo estilístico das obras podemos chegar ao íntimo do autor” (BUENO, 1964, p. 56).
1977 – O Tratado de Lapa passa por um dos primeiros estudos mais alentados e sistematizados do assunto. Nas suas 302 páginas expõe os casos estilísticos em vários planos (lexical, estilísticos, sonoro, semântico) devidamente exemplificados. Em termos mais específicos discorre: significação vocabular, eufemismo, neologismo, arcaísmo, estrangeirismo, gíria, jogo de palavras, palavras variáveis e invariáveis, formação de palavras, valor estilístico do artigo, relações do artigo com o adjetivo e o substantivo, pronome, vozes verbais, concordância verbal, ritmo, clichê.
1978 – Câmara Jr. com toda sua argumentação resume em alguns pontos os fundamentos conceituais do estilo (lingüísticos e psíquicos), a atividade literária estilística, as proposições metodológicas da abordagem estilística, e para encerrar, um resumo dos “aspectos” fônicos, lexicais e sintáticos.
1991 – Monteiro (p. 38): “A análise estilística não se resume a somente um dos planos estruturais do discurso [o lexical]. Ou seja, nos níveis sintático e semântico, o mesmo poema fornece farto material de ordem interpretativa”.
CONSIDERAÇÕES
O valor estético determina, para a análise estilística, a escolha de textos.
Bueno (1964, p. 55), tomando a obra de Jorge Amado como imoral, assim explica seu sucesso: “A maioria [dos leitores] é grosseira, é mal- educada, é de estopa grossa e pode deliciar-se com os palavrões, com as indecências para não dizer sujeiras de tais “Amados”.
A análise de um texto, especialmente de um poema, deve procurar entender as complexas relações que se estabelecem para a formação do sentido; nem sempre, é possível fazer-se uma análise mais abrangente atendo-se exclusivamente a um quadro teórico.
Elementos da estilística
Recursos Fonológicos;
Recursos Morfológicos;
Recursos Sintáticos;
Recursos Semânticos.
Recursos Fonológicos
Aliterações
Assonância
Onomatopéias
Rima
Recursos Morfológicos
Formação de Palavras
Prefixal
Sufixal
Parassintética
Regressiva
Imprópria
Recursos Sintáticos
Figuras de Construção e de Palavras
Assíndeto
Polissíndeto
Analocuto
Inversão
Silepse: gênero, número e pessoa.
Elipse
Zeugma
Anáfora
Recursos Semânticos
Figuras de Pensamento
Metáfora
Metonímia
Antítese
Eufemismo
Hipérbole
Hipérbole
Ironia
Gradação
Prosopopéia ou Personificação
Catacrese
Antonomásia ou Perífrase
Sinestesia
CURIOSIDADES:
Solecismo
Barbarismo
Ambigüidade ou Anfibologia
Cacófato
Pleonasmo
Neologismo
Arcaísmo
Eco.
REFERÊNCIAS
BUENO, Francisco da Silveira. Estilística brasileira: o estilo e sua técnica. São Paulo: Saraiva, 1964.
CÂMARA JR., Joaquim Mattoso. Um caso de colocação. In Dispersos. 2 ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1975.
CÂMARA JR., Joaquim Mattoso. Contribuição à estilística portuguesa. 3 ed. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1978.
8.06.2008
8.05.2008
Aprendendo as artimanhas da Língua Portuguesa: A Utilização das Metáforas.
Podemos também entender as metáforas, segundo teoria desenvolvida por Lakoff & Johnson (1980), como um sistema conceitual utilizado toda vez que há necessidade de representarmos um domínio de conhecimento por outro, ou seja, para expressarmos e entermos determinados conceitos utilizamo-nos de outros mais concretos para estruturarmos nosso pensamento. Assim, a metáfora está presente diariamente em nossa linguagem, pensamento e ações, determinando e gerando representações (BRANDÃO, 2003, p. 203).
Muitas vezes utilizamos as metáforas sem nos darmos conta, elas são consideradas na maioria das vezes como um elemento estilístico muito importante nas obras de alguns escritores, visto que em muitas obras, só entendemos aquilo que o autor deseja nos transmitir, se soubermos realmente o valor e o significado de suas expressões.
Muitas vezes utilizamos as metáforas sem nos darmos conta, elas são consideradas na maioria das vezes como um elemento estilístico muito importante nas obras de alguns escritores, visto que em muitas obras, só entendemos aquilo que o autor deseja nos transmitir, se soubermos realmente o valor e o significado de suas expressões.
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